A senhora ia apressada, equilibrando-se e aos vários pacotes e sacolas que tragicamente transportava.
Não era a única.
De repente parei a cena e observei ao redor.
Eram tantos pacotes e sacolas, saltitantes e equilibristas que o contrário parecia ser o mais verdadeiro.
Eram os pacotes e sacolas que equilibravam as pessoas, conduzindo-as por entre aquele trânsito de maluco.
Como eram muitos, para cada pedestre, e eles discordavam entre si, daí aquela angústia de não saber exatamente o caminho que cada pessoa deveria seguir.
Por isso tropeçavam.
Por isso batiam-se.
Por isso aquela cena tão ridícula.
E as sacolas e pacotes, riam entre si.
Debochavam daqueles que se pensavam seus donos.
Soltavam piadas por aquele consumismo doentio.
Enquanto isso, logo ali na esquina, o garoto revirava o lixo.
O outro, no sinal fechado, exercitava seu frágil físico, fazendo malabarismos com cocos vazios.
Outras, meninas, com caixas de sapato decoradas com papéis de embrulho natalinos, esmolavam os fantoches.
Tudo certo.
Já é quase Natal, novamente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário