sexta-feira, 29 de julho de 2011

Caindo de madura

Compartilho meus olhares
Escrevo minhas imagens
Sinto a queda
Flutuo no erguimento

Aquela senhora, a Cléo, caiu, meu Deus!
Caiu tão vagarosamente
Escorrendo pelos degraus
Parecia que de ponta-cabeça
Investigava romanticamente
O que ignoramos todos os dias

Aquela senhora, a Cléo, foi erguida, meu Deus!
Tímida. Envergonhada. Dolorida.
E seu velho companheiro
Enquanto ela retornava sua subida
Reclamava entre dentes sua convivência

Triste a queda
O erquimento
A queixa velada
As dores guardadas
Melhor voar.

domingo, 24 de julho de 2011

"...câmera na mão."

1920.
Século passado.
A cidade em movimento.
As pessoas em movimento.
As máquinas em movimento.
O movimento após o Movimento.
Poderia ser qualquer cidade,
qualquer pessoa,
de qualquer fábrica,
de qualquer país.
Mas coube a Dziga Vertov reunir as imagens,
montar a sequência,
compor e recompor uma história sem roteiros
informando sobre um dia comum
numa cidade incomum
entrelaçada e cerzida por histórias incomuns, cotidianas.
Sem palavras, intensamente sonoro, a trilha combina-se e ressalta o que há.
É 1920.
Mas parece aqui onde estou.
Cinema.
7ª e sempre impressionante Arte.