segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

MENINO

Espalha críticas por onde passa.
Aponta o dedo para a diferença.
Quando ama, disfarça.
Quando odeia, ameaça.
Mas é "de leve".

Fala da própria vida cheio de pena.
Se permanece com dívidas
Se não viajou para onde desejava
Se o carro é de modelo antigo
Se não ficou com o grande amor
A culpa foi de alguém.

Não sabe bem de quem.
Se da infância, pobre
Se dos pais que não o amaram bastante
Se dos chefes que não o valorizaram
Se dos irmãos que não o apoiaram
Se do trânsito que não fluía
Se do tempo, pois sempre chovia

Quando buscam sua companhia, reclama.
Se não o procuram, ressente-se.
Se lhe falam de amor, não acredita.
Se apontam uma saída, duvida.

O tempo vai passando e ele permanece assim.

Não estuda, porque já não é mais jovem.
Não investe em outra profissão, porque já cansou.
Não tem amigos, porque não distingue amizade de intimidade.

Então reclama.

E no seu triste humor,
no coração repleto de rancor,
desperdiça os dons que recebeu
sendo sempre um menino:
assustado e que não cresceu.

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